domingo, 28 de março de 2010

A ceia de Páscoa engordou

A Páscoa está chegando. Aleluia.

Em vez da gente parar e refletir um pouco sobre o significado simbólico-religioso deste feriado, o "normal" hoje é a gente se afobar com coisas menos espirituais: "Ainda não comprei meus ovos de chocolate..." ou "Onde é que eu encontro um bacalhau bom e barato para a ceia de domingo?"... ou então "Ai, já sei que vou engordar muito este fim de semana!"!  Uma coisa é certa: nos dias de hoje, a preocupação com a festa da Páscoa gira vorazmente em torno de um só assunto - comida.

Mas quando Jesus reuniu os doze apóstolos para participarem da ceia de Páscoa com ele - a última refeição que os treze fariam juntos - garanto que não houve excessos gastronômicos. Pelo menos é o que dá para se depreender dos rituais milenares da tradição judaica do Pessach e dos relatos dos evangelhos que chegaram até nós. Um pouco de pão ázimo (daqueles fininhos, sem fermento e quase sem gosto), alguns goles de vinho e pronto: a ceia estava servida. Dando asas à imaginação, talvez desse até para se visualizar naquela mesa uns bocados de peixes do rio Jordão ou algumas tâmaras cultivadas por ali mesmo. O certo é que na mesa da última ceia de Jesus não havia nada que pudesse ser chamado, nem de longe, de pantagruélico.



O que terá acontecido com a ceia da Páscoa nos últimos mil anos? Por que existem hoje tantos exageros na nossa mesa - não só na Páscoa, como também na refeição nossa de cada dia? Por que se vêem cada vez mais pessoas obesas entre nós?

Este assunto é o tema de uma pesquisa curiosa feita pela Cornell University, que acaba de ser publicada no International Journal of Obesity. A idéia dos pesquisadores é genial: partindo da premissa de que a arte (quase sempre) imita a vida, eles selecionaram 52 pinturas com o tema da última ceia e examinaram cuidadosamente todos os utensílios e alimentos representados pelos artistas de diversas épocas.

Resultado: os pesquisadores chegaram à conclusão de que os homens tem aumentado gradativamente o tamanho não só das porções dos alimentos que consomem, como também dos utensílios que empregam nas suas refeições:
pratos, copos, talheres. 

Tudo está cada vez mais farto e maior.

Ou seja, estamos ficando cada vez mais gulosos, quase sem perceber.

Nos últimos mil anos, os estudos das pinturas da última ceia indicam que:
  • os pratos aumentaram 66% de diâmetro
  • as porções servidas estão 69% maiores
  • os pães são 23% maiores
Bem, estas considerações são apenas  food for thought.
Um aperitivo light para nossos espíritos, enquanto nos afobamos com os preparativos gastronômicos do domingo que vem. 

4 comentários:

bete disse...

Querida amiga, acabei de chegar das compras de chocolate para domingo.
Antes de iniciar o cardápio para a data,resolvi dar uma espiada no seu blog.
Desafio lançado!
Tentarei proporcionar um domingo em família...sem excessos gastronomicos.
bjs
Bete

Isabel disse...

Como eu nao quero mais me aventurar no bacalhau fora de territorios brasileiros... comprarei um vinho e comida consciente acaba de entrar tambem no menu. Beijao. Kika

Monipin disse...

Coma à vontade, Bete - você pode! Beijos pascoais!

Monipin disse...

Bel, desconfio que bacalhau é um acquired taste. Nem todo o mundo aí fora sabe apreciar o que é bom. Coitados! ;-)